25 Maio 2012

Adaptável e Impermanente


Às vezes precisamos nos diminuir para caber nos formatos sociais, para que possamos expressar o melhor de nós em um nível de consciência mais contraído. Isso é fundamental para a vida que levamos. O mundo ao redor continuará em seu ritmo mesmo que nós já estejamos quilômetros à frente.

Porém, devemos manter a nossa massa; contraí-la sem descartar o nosso melhor. Se não nos mantivermos íntegros ao nos contrairmos, a volta para a expansão anterior não ocorrerá tão facilmente, pois algo será perdido no processo.

É por isso que é dito: não se identifique com o mundo; observe-o sem se apegar.



12 Maio 2012

(R)evolução


Para mudar um país não se pede que todos se tornem agentes da revolução, saindo às ruas com cartazes e gritos de guerra. Ao invés disso, é necessário um pensamento modificador em cada setor de uma sociedade. É necessário que haja pessoas com a ideia de mudança, com plena consciência social, na filosofia, na educação, na segurança, na política, na mídia, na arte, na saúde, no saneamento básico, nos serviços públicos, nos comércios e indústrias, no entretenimento; todas olhando para uma mesma direção. É preciso mudar todos os setores de dentro, da raiz, na origem de tudo. Não se trata de cortar a cabeça da hidra, achando que isso vai colocar as coisas nos eixos. Ela crescerá de novo e replicar-se-á. Precisamos de anticorpos e não de medicamentos.

Cada indivíduo tem o seu papel. Há aqueles que são porta-vozes, e esses sim devem sair às ruas e dizer o que está acontecendo, dizer que as pessoas estão mudando, estão acordando, que há algo de errado no país e no mundo. Esse cutucão é indispensável. E que eles façam barulho mesmo, o máximo que puderem, pois sabem fazer isso muito bem. Mas não se pode esquecer o que cada um deve fazer dentro daquilo que faz de melhor. De dentro, em silêncio, como um torrão de sal que se dissolve numa bacia d'água mudando para sempre sua constituição. Quando exigimos que alguém faça aquilo para o qual não tem o dom de fazer corretamente, achando que isso é ser cidadão, que isso é querer a melhora de um país, estamos sendo tolos, mostrando nosso despreparo em entender como funciona a mudança das pessoas e de seu entorno.

Que o educador torne-se consciente e passe a influenciar positivamente a educação; que o artista torne-se consciente e passe a expressar isso em suas obras de arte; que o jornalista torne-se consciente e passe a descrever o mundo de um ponto de vista mais expansivo; que aquele que tenha vocação política torne-se consciente e deixe mais honesto seu meio de atuação; que os pais tornem-se conscientes e preparem melhor seus filhos para o mundo. Não podemos pedir troca de papéis, não podemos exigir de uma pessoa algo que não pode oferecer. Há aqueles que sabem falar, há aqueles que sabem influenciar, há aqueles que sabem ensinar, há aqueles que sabem inspirar, há aqueles que sabem agir, há aqueles que sabem lutar, há aqueles que sabem acalmar e há aqueles que sabem entender. Cada um sabe fazer alguma coisa, e é nisso que devem agir. Quando todos olharem para uma mesma direção, fazendo aquilo que sabem fazer, aí sim a mudança acontecerá.

Ao invés de ficarmos bravos com um filósofo que fala sobre mudança e autoconhecimento, mas que não sai às ruas para protestar por qualquer coisa, devemos nós mesmos adquirir mais consciência e entender que ele já está fazendo aquilo que deve fazer, que sabe fazer. Somente quando entendermos que cada pessoa tem um papel fundamental, por mais discreto que seja, para a melhoria da sociedade, é que começaremos a caminhar numa mesma direção. Até lá, nos resta lidar com os dedos apontados de quem se acha mais importante do que outros por fazer barulho, quando o silêncio tem a mesma importância. Afinal, de que adianta mudar o governo se o médico continuará trabalhando com má vontade, se o educador não saberá ensinar, se o jornalista continuará tendencioso, se o cantor continuará fazendo músicas descartáveis ao invés de inspiradoras, se os policiais continuarão corrompíveis, se os religiosos continuarão desonestos, se os pais continuarão negligentes, se os escritores continuarão pedantes...

Enfim, reflitamos.



22 Abril 2012

Aos Mestres com Carinho


O grande professor é intangível. Não fala de si, não se gaba do que sabe, não aparece mais do que seus alunos. Mantém distância mesmo estando ao nosso lado. Costuma falar pouco, pois só fala quando é necessário. E por mais profundos que sejam seus ensinamentos, continua em silêncio, distante e intocável. O grande professor não pertence a este mundo. Fez morada neste mundo e o tem como uma extensão de seu próprio corpo, todavia não pertence a ele. O grande professor já está além, onde as fronteiras da inquietação foram ultrapassadas, onde as amarras do limitado foram cortadas, onde a elevação do ser pode ser contemplada.

Todavia, por mais distante que esteja, por mais discreto que seja, através de seus ensinamentos o sentimos aqui do nosso lado, pois ele exala amor, não apenas conhecimento; exala honestidade, não apenas inteligência; exala fraternidade, não apenas companheirismo. Não se considera mestre, muito menos superior, sequer pensando sobre tais vaidades. Sua mente é livre de autonomeações, e é por isso que é tão respeitado. Poucos podem compreendê-lo, é verdade, pois suas palavras são como gotas de chuva, difíceis de serem agarradas, mas aqueles que o conseguem, mesmo que uma simples fração, eles próprios começam a se elevar.

Alguns dos que não compreendem falam mal, acusam-no de filosofia barata, mas é apenas a limitação de entendimento que causa a ira de quem acusa, enquanto outros criam religiões em seu nome, cuja base é a distorção do que foi ensinado. Em ambos os casos o que há é a falta de percepção do que é dito pelo professor. Ouve-se, mas não se percebe. É por isso que o grande professor nunca está a favor de sua pessoa, considerando-se irrelevante aos ensinamentos, estes sim tendo verdadeira importância. Ele conhece a natureza humana, desde seu niilismo até seu fanatismo. Mas mesmo ele não consegue impedir que a informação se perca nas interpretações equivocadas. Esta é uma das razões porque ele nunca vem sozinho; antes e depois dele, outros grandes também vieram para ensinar o que deve ser ensinado.

A eles nossos agradecimentos pelo que nos mostraram e nossas desculpas por entendermos de maneira tão equivocada. Um dia, quem sabe, quando aprendermos a nos desvencilhar do apego à forma, possamos prestar atenção na mensagem e não no mensageiro. Mas valorizando este como deve ser feito. Pois nenhuma informação verdadeira pode ser dada à humanidade sem que haja um mensageiro físico, humano e igual a todos nós. Por isso, por mais excelsos que sejam os grandes professores, ainda assim eles são como todos nós, para nos mostrarem que também podemos alcançar o que eles alcançaram. Não deuses, não amorfos, não de outro mundo, os professores são tão humanos quanto nós. Sempre.